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03 setembro 2012

Uma janela para o mar...


Preciso ver o mar.
Sem ver o mar não posso mergulhar no meu mar interior.
Preciso ver o sol, as flores, o musgo, as pedras, a água, as marés.
Preciso ver os livros.
Os livros que já li e os que já escrevi.
Vendo o mar e vendo  livros eu consigo escrever repleta de emoções e conflitos, de personagens complexos.
Preciso do meu lado imagético, criativo e amplo. Agora escrevo com ouro líquido e os textos saem iluminados. Sinto um enorme  prazer.

29 junho 2012

ganhei de presente esta manhã



Me dê logo um copo

De leite
Branco puro opaco
Um receptáculo
Vá pegar no meio do jardim
Assim
Na primeira claridade
Me dê logo um falo
Aprumado 
Amarelo puro dourado
Isca sedutora
Corola imaculada
No frescor da alvorada 



19 junho 2012

Sopa

Gelada e turva, lá está ela no pote de vidro.
A tampa, que também é de vidro, sua lágrimas de vapor resfriado. Ao lado, outro pote. Opaco e coberto por um prato esconde um cadáver vegetal. A porta se abre, a luz acende e a sopa lá, gelada. Turva e macilenta.

Todos os dias, durante vários dias, surge o medo da decomposição. Da má água parada, da mágoa congelada. Podridão. Novamente a porta se abre.
Os potes são retirados.
As tampas removidas.
Nojo.
Aversão.
A sopa gelada não estava estragada.

medo


14 dezembro 2011

Ballade

alento no fim de um dia pesado
abraço
cigarro, whiskey, a brisa na noite de verão
banho morno
água no rosto, janela aberta
roupa velha de algodão





quando eu morrer
me embalem com Ballade
quero quem me quis
ouvindo comigo
quero que saibam que fui feliz

14 setembro 2011

Todo Sentimento - Chico Buarque

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento

Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.
Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

07 setembro 2011

Pele

Pele morena e doce
Que encosta e gruda
Como se imantada fosse
No desejo transpira
Cheiro de corpo
Calor de corpo
Enrosco, agonia
Mão na nuca
Pele fria
Mão na boca, nos seios
Um aperto, um abraço
Vem...
Me abraça de novo
Me mata de cansaço

08 junho 2010

sensações

Ponta de faca

Prego na estaca

Martelo na bigorna

Péin, péin, pain

Dor que transtorna

Unha na lousa

Gilete no dedinho

Papel fininho

Metal frio

Água de rio, arrepio

Absurdo atual

Jogo mortal

Maldade pura

Mania humana

Tortura

27 novembro 2009

3 LINHAS

DE TANTO TATURANEAR
A INDOLENTE LAGARTA
BORBOLETEOU

A JOANINHA, COITADA
PERDEU AS BOLINHAS
E FICOU PELADA

O SAPO OSCAR TÃO FORMOSO ERA
QUE ACABOU VIRANDO PRÍNCIPE
EM PLENA PRIMAVERA

O CHINELO VELHO
TANTO SE ARRASTOU
QUE UM DIA SEU CAMINHO ENCONTROU

ARGOLINHAS DOURADAS
CACHINHOS DE MEL
ANGINHOS CELESTES VOARAM NO CÉU

O POBRE CAMALEÃO
MORREU ESPUMANDO
DE TANTO LAMBER SABÃO

SACI PERERÊ
PIROU NA PRAIA DO PEREQUÊ
PORQUE, VOCÊ SABE PORQUÊ?

A GORDA GOTA DE ORVALHO
ENGORDOU, ROLOU
CAIU DO CARVALHO

ERA UMA VEZ
UMA GALINHA CHOCA
QUE ADORAVA COMER PIPOCA

NA CORTE DO REI TONICO
AINDA SE USAVA PENICO

25 novembro 2009

Pele

Pele morena e doce
Que encosta e gruda
Como se imantada fosse
No desejo transpira
Cheiro de corpo
Calor de corpo
Enrosco, agonia
Mão na nuca
Pele fria
Mão na boca, nos seios
Um aperto, um abraço
Vem...
Me abraça de novo
Me mata de cansaço

02 fevereiro 2009

A Banca do Distinto

Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor, pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente e a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor e acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto e retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada, mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal

Gosto de samba, samba. Daqueles que dá para fazer uns passinos e dançar junto. Puladinho, se possível. Ontem, 1 de fevereiro, um calor dos infernos ( tenho certeza que não sobreviverei ao aquecimento global), uma reunião da Turma do Fundão e música ao vivo: um programa, se não diferente, energético. Denise Duran, irmã de Dolores cantou um dos meus sambinhas favoritos que é A Banca do Destino, de Billy Blanco.Não podia deixar de registrar.

29 agosto 2008

O outro lado da lua

Lua cheia, é cheia de brilho, como se a luz fosse dela própria e não apenas reflexo do sol. Lua nova é o lado da sombra, o lado verdadeiro, onde estão as cinzas de tudo que ela já foi um dia.

Gostamos da lua cheia, prateada ou amarelada, alta no firmamento ou gigante no horizonte ao entardecer. Gostamos de olhar seu brilho emprestado, sem pensar de onde ele vem. Não queremos a sombra, a viagem à escuridão é incerta, não sabemos o que vamos encontrar.

Quando a lua brilha cada um vê o que quer: crateras, São Jorge montado no cavalo branco, matando o dragão, um coelho de orelhas levantadas, um enorme queijo suíço, o rosto da mulher amada. Quando a lua escurece não vemos nada até escolhermos um pequeno ponto e criarmos coragem para desvendar. Então o ponto se ilumina e o que é verdadeiro se revela. Pontinho por pontinho, vamos descobrindo o que a escuridão tem de verdadeiro para nos mostrar.

23 agosto 2008

Poema de Amor

para aquele cujo beijo me tirou o sono...

o meu caminho de volta
é em direção ao por do sol.
pego a estrada, cansada,
consumida e pálida
mas me reverencio ao por do sol.

cansada e pálida, me acalmo
e me deixo envolver pela luz
cálida...
o meu caminho de volta
é em direção `a calma...

me reverencio ao por do sol
pela luz cálida que me abraça,
pela calma
que permite a sua presença.
você !

...que com o por do sol me aquece
me envolve, me acalma
e me deixa ...ser.

sandra schamas