<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447</id><updated>2009-12-01T13:47:39.374-08:00</updated><title type='text'>Sandra Schamas</title><subtitle type='html'>textos, poesias e coisa e tal...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default?orderby=updated'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;orderby=updated'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>58</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-7317576119187261801</id><published>2008-08-23T05:50:00.001-07:00</published><updated>2009-12-01T13:47:39.383-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Primeiro Beijo</title><content type='html'>Um finíssimo fio de saliva separava nossas bocas. A dele queria mais e estava cheia de um desejo quase infantil; a minha rejeitava o que achava que deveria ter desejado. E aquele fio de saliva foi cortado com as costas da minha mão, em um gesto involuntário.&lt;br /&gt;O primeiro beijo foi assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros primeiros beijos foram acontecendo com o primeiro namoro, que evoluiu para noivado e acabou em casamento. Quando o amor acabou, tudo acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um luto, mas ainda havia tempo para recomeçar. E então, premeditadamente, aconteceu o primeiro beijo que me fez perder o sono. Passei a noite repetindo mentalmente cada detalhe, casa sensação, passando a ponta dos dedos na boca, fechando os olhos e sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quem deseja e quer, olhei para ele pela primeira vez. Um homem bonito, olhos cinza, de raposa matreira, manifestavam a arrogância característica dos intelectuais. Trocamos olhares e, no encontro seguinte, os telefones. Sempre nos encontrávamos em um grupo de amigos, conversávamos até tarde, e eu sem saber se deveria começar. Passou um tempo, marcamos um encontro, desta vez só nós dois. Depois do cinema, estava friozinho, fomos a um bar descolado e aconchegante. Na volta, no carro, tomei coragem e o beijei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram beijos no carro, no barco, no mar, no sofá, na rua, no armário, no chuveiro, na chuva. Hoje são memórias de amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-7317576119187261801?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/7317576119187261801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=7317576119187261801' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/7317576119187261801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/7317576119187261801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2008/08/memrias-de-amor-primeiro-beijo_23.html' title='Primeiro Beijo'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-6027118042478979757</id><published>2008-09-01T08:43:00.000-07:00</published><updated>2009-12-01T13:46:05.997-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Eu te Amo</title><content type='html'>Sempre assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda semana eram vinte e oito camisas e vinte e oito camisetas para passar. Fora as cuecas, os pares de meia, inclusive as de futebol, as calças jeans, bermudas e calções. Marido e três filhos homens, seu orgulho. Na sala, a mesa de passar em frente à TV, as pernas doendo e o suor escorrendo. Primeiro o colarinho, depois os punhos e as mangas, as costas, os ombros e parte da frente. Trabalho ingrato. Ela escuta barulho de chave na porta da frente, entra o seu mais velho com pressa:&lt;br /&gt;-- A camisa azul está passada? Vou tomar banho e vestir agora.&lt;br /&gt;-- Olha aqui, já leva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez minutos depois ele aparece de cabelo molhado, só de calça e a camisa azul toda amarfanhada na mão:&lt;br /&gt;-- Já não disse que eu detesto colarinho engruvinhado, porra! Que merda!&lt;br /&gt;-- Dá aqui que eu passo de novo.&lt;br /&gt;-- Agora não quero mais, foda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi até o quarto, pegou uma camiseta, saiu vestindo e falando ao celular.&lt;br /&gt;-- Malcriado, puxou o pai - disse ela.&lt;br /&gt;A TV continuava ligada, mas ela não prestava atenção, passava a roupa apenas. Quando terminou, já estava escuro. Enquanto recolhia tudo, o marido chegou batendo a porta e jogando a mochila no meio da sala. Estava com fome, queria jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Tem arroz na geladeira, diz ela. Frita um ovo que eu tenho que guardar isso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Arroz com ovo, mulher? Está pensando o quê? Eu trabalho o dia inteiro, trago dinheiro para casa, chego e não tem janta? Mulher burra, não presta para nada. Eu quero comer comida! Vem fazer o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Faz você. Estou ocupada, respondeu ela, equilibrando uma pilha de roupa em uma das mãos e os cabides com as camisas passadas na outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de guardar tudo, voltou ajeitando o cabelo no alto da cabeça e foi até a cozinha preparar o jantar. Ele estava parado olhando para ela com ódio, socando uma mão na outra, como quem vai brigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Ué! Que foi, homem? Já vou fazer o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal acabou de falar, ela sentiu o ardor do tapa na cara. Segurando o rosto, cambaleou e caiu, batendo a cabeça no mármore da pia. Ele foi para a sala furioso, gritando e xingando tanto que nem reparou que ela não se mexia mais. Minutos depois voltou. Viu sangue se espalhando na cozinha e ela lá, imóvel, de cara no chão. Reclamando ainda, ele a levantou e sua cabeça pendeu pesada para trás, mostrando o buraco na testa e o rosto desfigurado. Da boca entreaberta escorria sangue e saliva. Os joelhos estavam dobrados, os braços pendiam e os olhos esbugalhados fitavam o vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-- Acorda, mulher, acorda! Pelo amor de Deus. Olha o que você fez. A culpa foi toda sua, toda sua, entendeu? Não faz isso comigo, acorda! Eu te amo, eu te amo, eu te amo…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-6027118042478979757?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/6027118042478979757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=6027118042478979757' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/6027118042478979757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/6027118042478979757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2008/09/um-conto.html' title='Eu te Amo'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-8268104227706361133</id><published>2009-11-01T06:34:00.001-08:00</published><updated>2009-12-01T13:44:58.722-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>A Rosa</title><content type='html'>Sentir, sonhar sensibilizar.&lt;br /&gt;Sentir o senso suscetível.&lt;br /&gt;Sonhar sentindo a maciez das pétalas nos sentidos&lt;br /&gt;nos sentimentos&lt;br /&gt;nas sensações&lt;br /&gt;que levam a uma outra dimensão do sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A veneziana, que a pouco estava aberta, escancarada, se fecha para trazer a intimidade da sombra ao quarto. Dentro, a cama antiga e os lençóis de linho convidam os corpos nus e quentes do sol lá de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a sensação da rosa branca que percorre seu corpo ela se entrega ao momento do sentir e sabe, com cada célula de seu corpo, que sexo é sentir sozinha a sensação do ser. Brinca com a rosa que percorre suavemente a exuberância de suas formas sinuosas, enquanto abre sua alma para a luxúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espelho do guarda roupa, que é o reflexo da imagem da entrega, ajuda a compor a cena. O sol quente da tarde de verão insiste em penetrar pelas frestas da veneziana enquanto os corpos se entrelaçam, lutam, estremecem. O quarto, o lençol, o chão, as paredes e o teto listram listras de claro/escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rosa, que era botão, começa a se abrir, de certo por causa dos corpos que ardem, rolam de desejo e verão, só de sentir a rosa a tocar os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela arranca a rosa, que agora é uma intrometida, e a arremessa ao chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cai a rosa sem sentir a sensação do permear de suores, salivas e sais. Os odores, os fluídos e os sabores, os cheiros dos amantes se misturam e o sol insiste em invadir aquela solidão de sentir a dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinha no chão, a rosa deixa que suas pétalas se abram e se despreguem da haste uma a uma, lentamente, murchando de pura inveja de não poder sentir o que os corpos molhados sentem nos lençóis de linho da tarde morna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morre a rosa sem sentir o que fez com que a outra, suspirando e gemendo, sentisse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-8268104227706361133?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/8268104227706361133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=8268104227706361133' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/8268104227706361133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/8268104227706361133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/rosa.html' title='A Rosa'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-5540897701126323432</id><published>2009-11-01T06:32:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T13:44:02.265-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Cubaníssimo</title><content type='html'>Quem, eu?&lt;br /&gt;Sim. Eu sou cubano.&lt;br /&gt;Nasci em havana, em dezessete do sete de sessenta e sete. Hoje completo trinta e três anos e penso em Jesus quando começou a pregar. Sinto uma necessidade urgente de me expressar e deixar registrada minha experiência de vida, que modestamente considero intensa e interessante. Posso dizer que hoje, começando a vislumbrar os primeiros traços de maturidade, reconheço os caminhos difíceis por onde a inexperiência me fez passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou filho da revolução e, apesar de não concordar com muitas de suas atitudes, posso dizer que devo a Fidel minha educação acadêmica. No entanto, minha formação como pessoa e como homem devo à minha família, ao meu pai e à minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a revolução, meu avô perdeu todo o patrimônio que demorou quarenta anos para construir, ficando apenas com uma propriedade onde a família vive até hoje. Quando eu era pequeno, podia perceber que os tempos eram difíceis, mas não me lembro de vê-los revoltados e tenho certeza de que nunca os ouvi reclamar. “Meu filho, a nossa pátria é o mundo”, dizia meu pai. “Ame a vida e em tudo o que fizer, faça o melhor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não concordo com os exageros nas condutas e na disciplina do sistema, mas gosto de lembrar dos tempos de estudante, quando todos os meninos com uniformes absolutamente iguais se reuniam no pátio da escola para hastear a bandeira.&lt;br /&gt;Hoje eu sei que na verdade não há igualdade, pois a competição é inerente ao ser humano. Cada menino de uniforme queria ser o melhor e se empenhava para isso.&lt;br /&gt;Tabuada, gramática, história, geografia, música ou esporte, todos tinham a oportunidade de se destacar, mas não pela roupa que estavam vestindo, pelo relógio ou tênis da moda, e sim pela dedicação e capacidade. Quando os valores materiais são subestimados, os verdadeiros valores têm a chance de brilhar. Gosto de lembrar da minha emoção, quando me esforçava para ser o melhor. Ao ganhar tudo perdia o sentido e era hora de recomeçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exagero na disciplina, com o qual já disse que não concordo, gerava medo e repressão. Dependendo da falha cometida, perdiam-se pontos no boletim e às vezes o pai também era castigado. Hoje, esse fato parece uma crueldade, mas naquele tempo estava no contexto, já estávamos acostumados e fazia parte da rotina. A energia era canalizada para outros lados e conseguíamos vencer dificuldades maiores que certamente não venceríamos num regime mais liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ensino era amplo e aprendíamos de tudo. O currículo escolar era completo e com muitas horas para estudo. Os esportes ajudavam a liberar a tensão e toda aquela energia que se tem numa infância saudável. O atendimento médico e dentário, com acompanhamento periódico, era para todos, sem exceção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo grau, fizemos a Escola de Campo. Você me diz o quê, e eu digo como plantar: batata, mandioca, feijão, cana, milho, morango. Plantar e colher morangos para exportação era parte do programa. As frutas eram trocadas por produtos de primeira necessidade e não podiam ser comidas. Ninguém conhecia morango. No primeiro dia, foi uma festa! Todos comeram muito até ficar com a língua vermelha. Mas o castigo não tardou: no dia seguinte, uma patrulha de inspeção pedia que os meninos mostrassem a língua e os de língua vermelha foram duramente castigados. Nunca mais comi morangos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As filas de meninos trabalhando na plantação eram enormes; na frente de cada menino havia uma estaca e as estacas eram unidas por uma corda fina. À medida que as sementes eram plantadas, a um sinal, cada menino fincava a estaca na terra um metro mais adiante. Enquanto me concentro para poder descrever, respiro fundo, sinto o cheiro da terra e do suor e ouço o sinal: yuuiiii! E a fila de meninos com estacas seguia adiante mais um metro de campo semeado. Era duro, mas havia beleza e poesia naquele trabalho comunitário. Hoje eu entendo a importância de se aprender o valor da terra e dos frutos que ela pode dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou engenheiro eletricista e, por ter escolhido a carreira certa, quando peguei meu diploma, queria minha profissão. No entanto, depois de formado, quando passei mais dois anos totalmente afastado da cidade trabalhando para o governo para pagar meus estudos, foi que completei minha educação aprendendo com a sabedoria das pessoas do campo.&lt;br /&gt;Hoje não me falta trabalho e procuro não recusar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu vou levar você para Cuba, você vai adorar minha gente e depois você me leva para o Brasil. Por você, eu já sei que vou gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você sentir saudades de mim, olhe para a lua, cheia, de preferência, e nos contornos de cinza e prata sabrás que te quiero, mi amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-5540897701126323432?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/5540897701126323432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=5540897701126323432' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/5540897701126323432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/5540897701126323432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/cubanissimo.html' title='Cubaníssimo'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-1892636048821531101</id><published>2009-11-30T03:51:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T03:53:40.442-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Mar</title><content type='html'>1.&lt;br /&gt;No vai e vem das rendas esgarçadas de espuma rodeando seus tornozelos, pensava ser a única a gostar da imensidão cinza do mar nos dias frios.  Afastou-se sem tirar os olhos do horizonte que mal conseguia decifrar e inalou a maresia. Água, sal, vida, começo de tudo. Êxtase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrancou o cachecol e a japona, rodopiou e correu como quem se encontra com um grande amor. Livrou-se do resto das roupas e voltou para afundar os pés na beira mar. Depois, sentou-se. Apoiada nas mãos que também se afundavam, jogou a cabeça para traz, abriu as pernas e deixou-se possuir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;No vai e vem das rendas esgarçadas de espuma rodeando seus tornozelos, seus pés afundavam.  A lã molhada da calça pesava; o cinza do cenário também. Ela virou o rosto e viu, na ponte enevoada, dois vultos abraçados atirando algo no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento bateu forte, ela sentiu como um véu tocando seu rosto. Passou a língua nos lábios, um leve gosto metálico, acre, desconhecido. A japona e o cachecol estavam com uma espécie de bolor apenas do lado direito, de onde vinha o vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iria para o hotel, tomaria um banho quente, jogaria aquelas roupas fora. Tomaria um copo de vinho, poria uma flor no cabelo e sairia para dançar com uma vida nova, só dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-1892636048821531101?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/1892636048821531101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=1892636048821531101' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1892636048821531101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1892636048821531101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/mar.html' title='Mar'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-4536861091844259949</id><published>2009-11-27T04:01:00.000-08:00</published><updated>2009-11-27T04:04:30.179-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>3 LINHAS</title><content type='html'>DE TANTO TATURANEAR&lt;br /&gt;A INDOLENTE LAGARTA&lt;br /&gt;BORBOLETEOU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A JOANINHA, COITADA&lt;br /&gt;PERDEU AS BOLINHAS&lt;br /&gt;E FICOU PELADA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O SAPO OSCAR TÃO FORMOSO ERA&lt;br /&gt;QUE ACABOU VIRANDO PRÍNCIPE&lt;br /&gt;EM PLENA PRIMAVERA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CHINELO VELHO&lt;br /&gt;TANTO SE ARRASTOU&lt;br /&gt;QUE UM DIA SEU CAMINHO ENCONTROU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARGOLINHAS DOURADAS&lt;br /&gt;CACHINHOS DE MEL&lt;br /&gt;ANGINHOS CELESTES VOARAM NO CÉU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O POBRE CAMALEÃO&lt;br /&gt;MORREU ESPUMANDO&lt;br /&gt;DE TANTO LAMBER SABÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SACI PERERÊ&lt;br /&gt;PIROU NA PRAIA DO PEREQUÊ&lt;br /&gt;PORQUE, VOCÊ SABE PORQUÊ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A GORDA GOTA DE ORVALHO&lt;br /&gt;ENGORDOU, ROLOU&lt;br /&gt;CAIU DO CARVALHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ERA UMA VEZ&lt;br /&gt;UMA GALINHA CHOCA&lt;br /&gt;QUE ADORAVA COMER PIPOCA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NA CORTE DO REI TONICO&lt;br /&gt;AINDA SE USAVA PENICO&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-4536861091844259949?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/4536861091844259949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=4536861091844259949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/4536861091844259949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/4536861091844259949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/3-linhas.html' title='3 LINHAS'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-5225689411945763259</id><published>2009-11-25T07:15:00.000-08:00</published><updated>2009-11-25T07:17:01.967-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Pele</title><content type='html'>Pele morena e doce&lt;br /&gt;Que encosta e gruda&lt;br /&gt;Como se imantada fosse&lt;br /&gt;No desejo transpira&lt;br /&gt;Cheiro de corpo&lt;br /&gt;Calor de corpo&lt;br /&gt;Enrosco, agonia&lt;br /&gt;Mão na nuca&lt;br /&gt;Pele fria&lt;br /&gt;Mão na boca, nos seios&lt;br /&gt;Um aperto, um abraço&lt;br /&gt;Vem...&lt;br /&gt;Me abraça de novo&lt;br /&gt;Me mata de cansaço&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-5225689411945763259?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/5225689411945763259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=5225689411945763259' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/5225689411945763259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/5225689411945763259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/pele.html' title='Pele'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-6603688874347687241</id><published>2009-11-25T07:14:00.000-08:00</published><updated>2009-11-25T07:15:08.830-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Ela gostava de blues</title><content type='html'>Antes da cremação, os filhos foram à casa dela para ver o que teriam de jogar.&lt;br /&gt;Ver o que poderiam ficar. Ver o que fariam com o resto.O resto.&lt;br /&gt;Estavam tristes, sim estavam. Tarefa difícil, ninguém quer fazer.&lt;br /&gt;Abriram gavetas, reviraram armários, constrangidos, meninos.&lt;br /&gt;Na cômoda, uma caixa fechada. E a chave, onde está?&lt;br /&gt;Acharam, abriram, choraram, sorriram, encontraram...&lt;br /&gt;Uma foto, um momento, um amor. Uma carta, uma fita, um poema.&lt;br /&gt;Ela escrevia poemas. Você sabia?  Você sabia? Nem eu.&lt;br /&gt;Um blues safado&lt;br /&gt;Você e eu&lt;br /&gt;De rosto colado&lt;br /&gt;Seu corpo no meu&lt;br /&gt;Os seus olhos blues&lt;br /&gt;Os meus olhos blues&lt;br /&gt;Seus olhos nos meus&lt;br /&gt;Meu vestido blues&lt;br /&gt;Me solto, me perco, suspiro , desmaio&lt;br /&gt;Detesto parar&lt;br /&gt;Você  e eu, você  e eu&lt;br /&gt;De rosto colado&lt;br /&gt;Um blues marcado&lt;br /&gt;Meu corpo no seu&lt;br /&gt;Os seus olhos blues&lt;br /&gt;Os meus olhos blues&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-6603688874347687241?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/6603688874347687241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=6603688874347687241' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/6603688874347687241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/6603688874347687241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/ela-gostava-de-blues.html' title='Ela gostava de blues'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-1312858654660625687</id><published>2009-11-25T07:12:00.000-08:00</published><updated>2009-11-25T07:14:02.286-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Diálogo</title><content type='html'>- Oi. Está pronta? Vamos logo por causa do trânsito.&lt;br /&gt;- Você chegou cedo, que milagre!Eu estou pronta, só vou pegar um texto que escrevi para ela. Achei que precisava dizer algo na hora. Só um segundo, volto já.&lt;br /&gt;- Antes, me diga onde está. Acho isso tudo muito estranho. Eu disse que preferia do jeito que todo mundo faz, mas você insistiu tanto... Ela deixou por escrito, tudo bem. Mas, até ai, vamos combinar que agora ela não apita mais nada, não é?  Topei fazer isso  só vou porque você me pediu.&lt;br /&gt;- Está ali, ó, na estante. Eu não sabia onde por. Pedi uma urna simples porque vou jogar fora depois. Você pode pegar, para ir adiantando, e colocar dentro daquela caixa de caixa de papelão.  No carro, a gente coloca no banco de trás. Acho melhor no chão, assim não cai. O que você acha? Levo no colo?&lt;br /&gt;- Sei lá. Estou com medo de pegar, espero você descer.&lt;br /&gt;- Vamos? Cadê a urna?&lt;br /&gt;- Coloquei na caixa e já esta no carro, no chão, atrás. Eu senti uma coisa estranha, uma dor no estômago. Parecia que eu estava cometendo um sacrilégio. Eu baixei  aquela música que ela gostava Miss Sally’s Blues, lembra? Ela vivia cantarolando, fez a gente assistir aquele filme triste pra caramba e todo mundo chorou. Achei que tinha a ver. Sei lá. Também achei que precisava levar alguma coisa.&lt;br /&gt;- Gostei.&lt;br /&gt;- Até que é uma boa pegar a estrada no meio da semana. Viemos tão rápido que eu nem senti. Vá olhando as placas, a sinalização aqui é horrível.&lt;br /&gt;- Entra ali. São Vicente, Praias, Ponte Pênsil.&lt;br /&gt;- Vou estacionar aqui.&lt;br /&gt;- Nossa! Que lugar incrível. Ela dizia que vinha sempre aqui quando era pequena. Contava uma história de uma menina que tinha fugido de casa, atravessado a ponte correndo, com tamanquinhos de madeira e caído no mar. Morreu afogada, mas sua alma ainda perambula pela ponte. Quando as pessoas passam  de carro ouvem esse barulho das tábuas são soltas e dizem que são os tamanquinhos da menina.&lt;br /&gt;- Acho que aqui está bom porque o vendo está vindo de lá. Senão vem tudo em cima da gente.&lt;br /&gt;- Não quero ler o que eu escrevi. Acabou. Agora nós somos a linha de frente.&lt;br /&gt;- Abre logo, vamos jogar as cinzas antes que eu desmaie. Estou me sentindo mal.&lt;br /&gt;- Putz! O vento virou!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-1312858654660625687?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/1312858654660625687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=1312858654660625687' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1312858654660625687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1312858654660625687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/dialogo.html' title='Diálogo'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-7470209769408679917</id><published>2009-11-10T10:43:00.000-08:00</published><updated>2009-11-10T10:46:11.373-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>De Dentro do Armário</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Aqui no escuro ninguém me acha, quem sabe eu me acho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;A fresta de luz deve ter uns três milímetros, a prateleira é resistente, as roupas têm meu cheiro. Quero ver se vou entender o que eu escrevi depois, se alguém vai entender o que eu escrevi depois. Vou escrever bem grande, em letra de forma, gastar o caderno todo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Estou esfarrapada, dolorida. De manhã não quero sair da cama. Tem muita gente no mundo e todas falam no celular. Búfalos andam de metrô, veículos robustos empoderam idiotas, enxames de vespas escoam pelas ruas. As línguas se bifurcam, espirram perdigotos de veneno e meu antídoto está vencido. As calçadas não são para seres humanos, são para cães e suas babás. Os reflexos me perseguem, tenho ódio daquela mulher. Quando não consigo evitar, me aparece um espectro caricato do que eu não quero ser.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Nesse cômodo, não vejo: sinto. Eu gostava de menstruar. O toque do jeans, que não me serve há anos, me excita, as possibilidades de fazer sexo são mínimas. Liberdade é uma calça velha azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser. Só não usa quem não quer... Eu quero, mas não posso; não me serve mais. Nem meus filhos usam mais jeans, são agora pessoas de terno. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Sou o coringão, o jockey do baralho. Valho o dobro na contagem, me encaixo em todos as jogadas mas, sozinho, não passo de um bobo da corte.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-7470209769408679917?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/7470209769408679917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=7470209769408679917' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/7470209769408679917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/7470209769408679917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/de-dentro-do-armario.html' title='De Dentro do Armário'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-7374437839157599228</id><published>2009-10-19T12:22:00.001-07:00</published><updated>2009-11-10T10:44:49.284-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Carta de um Suicida</title><content type='html'>&lt;div&gt;Não quero perdão, quero respeito pela minha escolha. Não se sintam culpados, foi a maneira mais justa que encontrei. Sei que terão muito trabalho para limpar tudo, mas será bem menos do que me agüentar por mais um tempo. A velhice é longa e cara.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que me preocupa é o fato de vocês não estarem preparadas para enfrentar o falatório depois. Caso eu esteja certo, mintam. Inventem uma história comovente e acreditem nela. A gente sempre acaba acreditando nas nossas mentiras. A morte faz parte da vida, mas as pessoas insistem em não aceitar, principalmente quando o sujeito decide, ele mesmo, a hora de partir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não sei se esse ato extremo e trágico foi resultado de súbita coragem ou premeditada covardia. Não sei o que vem depois, não sei nada. Não sabemos nada, essa é a verdade. Não gastem muito com caixão, flores, essas coisas. Doem tudo que puder ser aproveitado do meu corpo e cremem o que sobrar. A cerimônia é bonita e vocês podem escolher algumas músicas que eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vocês se lembram do dia em que ganhei aquele prêmio de literatura? Eu estava feliz, elegante, realizado, vocês comigo, as pessoas me cumprimentando... Lembrem de mim assim. È tudo o que eu quero.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-7374437839157599228?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/7374437839157599228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=7374437839157599228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/7374437839157599228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/7374437839157599228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/10/carta-de-um-suicida_19.html' title='Carta de um Suicida'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-8898249690050560734</id><published>2009-11-10T10:41:00.001-08:00</published><updated>2009-11-10T10:41:59.767-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Uma Bela Mulher</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Na mesa de aço inoxidável, o corpo de formas arredondadas e pele quase transparente foi dissecado com precisão. Retiraram os lençóis, limparam o cadáver, colocaram um suporte no meio das costas para levantar o tórax. Começaram pela unha do polegar direito que já estava meio solta. Puxaram-na devagar e uma nova unha despontava na carne rosada. Depois puxaram a do polegar esquerdo, igual. Arrancaram uma por uma as outras unhas das mãos e depois as dos pés. O dedão do pé direito já estava sem. Fungos por causa do sapato apertado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;Um corte diagonal desde o ombro direito até o peito, curvado em torno da base das mamas, antes de passar pelo osso esterno e chegar ao ombro esquerdo. Feita a incisão do peito até o púbis, formando o Y, uma massa vermelha e amorfa estufou de dentro do corpo e saiu &lt;st1:personname productid="em partes. O" st="on"&gt;em partes. O&lt;/st1:personname&gt; bisturi soltou a pele e o retalho foi puxado para cima do rosto. A tesoura gigante cortou o osso esterno e as costelas se abriram como uma gaiola macabra. Mãos ensangüentadas de borracha retiraram o coração e o colocaram na bandeja. Os demais órgãos foram examinados e pesados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;O bisturi afiado riscou a pele começando atrás de uma orelha, circundando o crânio até chegar à outra orelha. Afastaram o couro cabeludo em dois pedaços; serraram o osso e o cérebro, apareceu, pois a dura-máter permaneceu presa à base da tampa craniana. Removeram o órgão perfeito e o colocaram em uma bandeja, ao lado do coração. A pele do rosto foi retirada como uma máscara e a bela mulher se foi. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-8898249690050560734?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/8898249690050560734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=8898249690050560734' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/8898249690050560734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/8898249690050560734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/uma-bela-mulher.html' title='Uma Bela Mulher'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-2628733946958070345</id><published>2009-11-01T06:38:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T07:02:07.363-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Murciélagos</title><content type='html'>A praia, em dias cinzentos, traz monotonia de tons e paz. Observo o dia sem graça e todos os meus pensamentos escorrem pelo meu corpo e penetram a areia úmida e macia. Noto um pequeno barco se aproximar e espero. Entro na água até onde dá pé e observo o barqueiro que rema como quem sabe o que faz. “Quer vir?” - pergunta ele. Digo que sim e, com certa dificuldade, subo no barco arfando. “Vamos do outro lado ver a gruta”, explica o moreno cuja pele mais parece um couro. Eu concordo balançando a cabeça e torcendo o cabelo molhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal se nota a abertura da gruta no meio da vegetação tropical. Precisamos deitar no barco e esperar uma marola para poder entrar. Depois de algumas tentativas conseguimos. Estou com medo, mas sei que vou gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pedra é escura cinza por fora e branca por dentro. A parte da gruta que fica no fundo do mar é aberta permitindo que a luz entre por baixo e reflita o azul da água. A sensação é de estar dentro de uma imensa água-marinha. Ouço o som da água pingando, olho para cima e vejo alguns retângulos de veludo enfileirados, presos pelo centro e pendurados nos estalactites. Morcegos. S&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço do barco agarrando-me às pedras e peço para o barqueiro esperar. Sinto-me desprotegida por estar em traje de banho, tento percorrer uma espécie de trilha com muito cuidado. Estou curiosa. Além do som dos pingos pingando ouço apenas a minha respiração. Busco pela escuridão total, mas ela nunca acontece, sempre há uma luz que vem das águas cristalinas como se não houvesse mais nada que pudesse me surpreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente sinto escurecer me assusto e paro. “Quem está aí?” digo eu várias vezes até dois olhos imensos encontram os meus. São olhos apenas. Eu não consigo ver nem sentir nenhum corpo, apenas dois olhos, ora azuis, ora verdes, que se confundem com o azul e o verde que vem da luz do fundo do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo encarando os olhos e uma voz me diz que são os olhos da morte. “Não!” digo eu, “São os olhos do amor!” Sinto os olhos dentro dos meus olhos e sei que aqueles olhos são os olhos do amor. Mergulho no abraço por tempo indefinido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agarrada às pedras, percorro a trilha de volta, entro no barco onde o moreno me espera, olho para os retângulos de veludo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Murciélagos”, sussurram eles. Suspendo minha respiração para ouvir melhor aquele mantra que ecoa sinistro, um convite para voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barqueiro rema com habilidade e logo estamos de volta à praia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-2628733946958070345?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/2628733946958070345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=2628733946958070345' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/2628733946958070345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/2628733946958070345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/murcielagos.html' title='Murciélagos'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-8747504829781857242</id><published>2009-11-01T06:30:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T06:32:53.028-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Miami que Eu Gosto</title><content type='html'>agonia, arrependimento, bravura, banzo, calma, confiança, curiosidade, deslumbramento, desespero, entusiasmo, exaustão, felicidade, gratidão, horror, incompetência, impotência, julgamento, lucidez, merda, americano é um saco, nacionalismo, otimismo, ousadia, puta que o pariu quanto cubano, questionamento, relutância, solidão, tristeza, universalidade, vazio, xamanismo, zelo, zona, zorra, zumbido, zumzumzum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O abecedário inteiro, repetido várias vezes, não é suficiente para classificar tudo o que se sente morando em terras estrangeiras. Pelo menos no meu caso. Às vezes eu sentava na rua e chorava, às vezes eu ficava tão eufórica que achava que estava vivendo um filme, às vezes eu queria morrer. Depois, passei a me sentir culpada por não estar feliz num lugar tão lindo e organizado. As inevitáveis mudanças aconteciam e eu me sentia como uma grande árvore que havia sido arrancada do solo e era levada daqui e de lá, sacudindo suas ramas e deixando que suas raízes se ferissem sem a proteção da terra.&lt;br /&gt;Demorou muito tempo para saber se gostava ou não e mais ainda para achar que estava tudo bem. Quando comecei a entender o processo, já era hora de voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miami, cidade de que aprendi a gostar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-8747504829781857242?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/8747504829781857242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=8747504829781857242' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/8747504829781857242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/8747504829781857242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/11/miami-que-eu-gosto.html' title='Miami que Eu Gosto'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-8518910446365737371</id><published>2009-10-19T12:22:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T12:23:34.586-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Carta de um Suicida</title><content type='html'>Não quero perdão, quero respeito pela minha escolha. Não se sintam culpados, foi a maneira mais justa que encontrei. Sei que terão muito trabalho para limpar tudo, mas será bem menos do que me agüentar por mais um tempo. A velhice é longa e cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me preocupa é o fato de vocês não estarem preparadas para enfrentar o falatório depois. Caso eu esteja certo, mintam. Inventem uma história comovente e acreditem nela. A gente sempre acaba acreditando nas nossas mentiras. A morte faz parte da vida, mas as pessoas insistem em não aceitar, principalmente quando o sujeito decide, ele mesmo, a hora de partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se esse ato extremo e trágico foi resultado de súbita coragem ou premeditada covardia. Não sei o que vem depois, não sei nada. Não sabemos nada, essa é a verdade. Não gastem muito com caixão, flores, essas coisas. Doem tudo que puder ser aproveitado do meu corpo e cremem o que sobrar. A cerimônia é bonita e vocês podem escolher algumas músicas que eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês se lembram do dia em que ganhei aquele prêmio de literatura? Eu estava feliz, elegante, realizado, vocês comigo, as pessoas me cumprimentando... Lembrem de mim assim. È tudo o que eu quero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-8518910446365737371?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/8518910446365737371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=8518910446365737371' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/8518910446365737371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/8518910446365737371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/10/carta-de-um-suicida.html' title='Carta de um Suicida'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-1773543318382826457</id><published>2009-10-19T12:19:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T12:21:54.026-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Sexta-feira</title><content type='html'>Anda , menina, vá se vestir que nós vamos sair. Não vá me por aqueles tênis horrorosos. Se arrume direito que nós vamos à igreja. Vamos logo depois do almoço. Comprei filé de peixe na feira porque hoje não pode comer carne. Amad! desligue o rádio, tenha um pouco de respeito. Eu sei que você quer ouvir as notícias, mas acho melhor só ler o jornal. Quando o almoço estiver pronto eu chamo. Você pode dormir de tarde, se quiser, eu vou sair com Alexandra e à noite podemos ir comer pizza, de mussarela. Calabreza não, que é carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alex, não demore.  Vou esquentando o carro e espero você. Vamos na Imaculada primeiro, depois na São Gabriel e , se der, vamos ver a procissão em Vila Mariana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem, dá a mão para a mamãe, não tenha medo. O caixão de vidro? È Jesus morto, coitadinho. È só uma estátua, não precisa se assustar. Você faz o sinal da cruz, pede perdão pelos seus pecados e pronto. Vamos entrar na fila. Está vendo aqueles panos roxos cobrindo os santos? Então, é sinal de luto. Lembra quando o tio Sadih morreu que a tia Louris só usava preto? O preto e o roxo são cores do luto, querem dizer que você está triste porque alguém morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ninguém enfiou uma faca no coração de Nossa Senhora. Ela está assim para mostrar que está sofrendo muito porque Jesus morreu. Como se tivessem enfiado uma faca no coração dela. Aquele é São Sebastião, ele foi um mártir. Mártir é quem morre por defender uma causa, ele era soldado e defendia os cristãos, em vez de matá-los. È . São flechas. Sim, faziam maldades com os cristãos. Vamos, a fila está andando. Fica tudo escuro porque hoje é um dia triste, é o velório de Jesus. Velório vem de vela, por isso todo mundo acende vela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vou morrer agora, filha, nem seu pai. Vai demorar muito ainda. Não , você não precisa ver nenhum defunto , você ainda é pequena. Depois não tem nada de mais, parece que a pessoa está dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já está na hora da procissão passar, é bonito, as pessoas cantam, levam os símbolos da Igreja, rezam. Porque as mulheres usam véu? Por respeito: as casadas usam véu preto e as solteiras usam véu branco, como a Virgem Maria. Você é criança, usa véu branco. O que é virgem? Pára de fazer tantas perguntas, menina, depois eu explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você está chorando? Não chora, a mamãe está aqui. È bonito ver a procissão, as crianças vestidas de anjos, a banda tocando. Está tremendo, está pálida...  Não olha então, está acabando. Já vamos para casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-1773543318382826457?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/1773543318382826457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=1773543318382826457' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1773543318382826457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1773543318382826457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/10/sexta-feira.html' title='Sexta-feira'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-4935509167585444433</id><published>2009-10-13T11:21:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T11:25:10.571-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>O Parto</title><content type='html'>- Quer ver a menina? Ela é perfeita.&lt;br /&gt;- Quero dormir, tire ela daqui! Não quero ver ninguém... - respondeu Rilda com voz pastosa por causa do clorofórmio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra nasceu na segunda-feira às 7:30 da manhã, sentada, azulada, enrolada no cordão umbilical, pesando pouco mais de um quilo e meio. Custou a chorar. Quando a enfermeira trouxe a criança no quarto, toda enrolada em flanelas, só se via um tufo de cabelo preto e encaracolado encimando o pacote cor de rosa. Amad a recebeu de braços abertos, cantarolou e dançou com a menina no colo. Depois, colocou-a na cama e a despiu. Encantado com aquela criaturinha arroxeada, examinou os dedinhos de pé, da mão e a vestiu novamente com habilidade. Sacudiu Rilda para que acordasse e visse a filha que acabara de nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram para a maternidade no domingo à tarde. Rilda, nervosa, sentia-se gorda de tanta cerveja preta e canjica que fora forçada a tomar durante a gravidez; andava mal por causa da barriga e odiava arrastar os chinelos sem salto. Que pelo menos fosse um menino, para compensar tanto desconforto e os quinze anos sem filhos. Amad estava eufórico: iria ser pai, depois de quarenta anos bem vividos numa vida de jogador e moleque. Com cuidado, a acomodou no carro e a levou para a maternidade, onde o Instituto dos Bancários tinha convênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito reservada, Rilda estava contrariada em se expor para as enfermeiras nos preparativos do parto. A bolsa rompeu, ela fez força e o bebê, em vez de sair, entrou e virou. O médico, que auscultava os batimentos dela e da criança, percebeu que havia risco para ambas. Decidiu fazer uma episiotomia e tirar o bebê a fórceps altos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As enfermeiras deixaram a que mãe descansasse até a hora de dar de mamar. Achando que o parto já fosse martírio suficiente, Rilda não fazia idéia do que seria amamentar: o peito sangrava e vertia leite a menina berrava, não conseguia, a boca era pequena e a fome desesperadora. A solução foi buscar leite de ama na Santa Casa. Naquele tempo havia um banco de leite e as amas ficavam numa sala onde havia uma placa “ Ordenha”. Estranho. Durante um ano Rilda cumpriu esse ritual indo, todos os dias, buscar as garrafinhas de leite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do hall da maternidade, Amad deu vários telefonemas para avisar às pessoas que Alexandra havia nascido. Depois foi aos jornais colocar o anúncio na sessão de nascimentos e registrar a filha no cartório. Íris veio ficar com a irmã e disfarçou a decepção; como os outros parentes, esperava um menino grande, forte, loiro e de olhos azuis. Tentou animar a irmã dizendo que o dia estava lindo, que a criança era saudável, melhor que fosse mulher, pois seria companheira. Vieram algumas visitas, mas Rilda as ignorou. No dia de ir para casa estava pálida, com medo de enfrentar as responsabilidades de esposa, de filha e, agora, de mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inexperiente, tentava parecer forte e segura. Quando cometia um erro, não dormia de remorso. Um dia, um acidente: ao sair da Santa Casa e entrar no carro derrubou a cesta com as mamadeiras. Tremia ao ver o leite da pobre ama escorrendo na calçada. Rilda se incomodava com as orelhas de abano da menina e achou que colocando esparadrapo poderia resolver o problema; depois de uns dias, na hora de tirar, a pele veio junto, mas as orelhas ficaram no lugar. As calças plásticas, novidade pós guerra, cozinhavam a pele fina; tudo era difícil, a menina não queria comer, quando comia, engasgava. Era um ser delicado, mas vingou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos dois meses Alex estava fortinha, Rilda achou que podia respirar. Ledo engano! Ermenegildo, seu pai, tem uma morte sofrida depois de anos de invalidez e desatinos, seqüelas de um AVC. Olga, viúva e de luto, fica sabendo que tem câncer. O escritório de Amad pega fogo e o prejuízo foi enorme. Rilda arrasada, tentou trazer um pouco de luz ao ambiente sombrio e inventou um luto vestindo-se de branco. Achava que não faria bem para a criança olhar para as pessoas de preto à sua volta. A preocupação maior era tornar aquele ser mínimo, que dependia totalmente dela, uma pessoa educada, independente e responsável. A vida era muito dura, mas sua filha seria forte, mais forte do que ela se esforçava ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alex andou cedo, falou cedo e logo tirou as fraldas. Alegrava a casa, entendia tudo que sua avó lhe falava em italiano, desafiava as ordens da mãe e brincava com o pai. Era uma menininha pequena no meio de adultos e com dois anos foi para o que seria hoje uma escolinha maternal. Foi bom para ela, que pode conviver com outras crianças e sair do ambiente pesado de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver os seios de Olga mutilados em uma bandeja cirúrgica, Rilda desmaiou. Via a vida de sua mãe se esvair e o pouco alívio vinha das injeções verdes de morfina. Era preciso que alguém em casa aprendesse a aplicá-las e Amad se prontificou. Praticou no papo da galinha, fez uma sujeirada na cozinha, depois tentou numa laranja. Dina chorava de dor e ele teve de arriscar. Deu certo. Passou a fazer essa tarefa muito melhor do que o esperado. Ambos tinham senso de humor e se queriam bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu aniversário de quatro anos Alex foi mostrar o vestido novo para a avó que mal podia abrir os olhos. Dois ou três dias depois, a imagem do corpo sendo velado em cima da mesa na sala de jantar lhe assombrou os sonhos durante anos.Rilda sofreu as perdas, mas fez questão de não demonstrar. Amad sentiu a responsabilidade de ser pai, não queria que sua menina crescesse vendo os agiotas na porta a cobrar dívidas de jogo. Dedicou-se ao seu trabalho no banco, deixou de jogar e abriu uma camisaria como segunda fonte de renda. Rilda o apoiava em tudo, eram parceiros, amantes e ...pais. Bons pais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-4935509167585444433?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/4935509167585444433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=4935509167585444433' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/4935509167585444433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/4935509167585444433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/10/quer-ver-menina-ela-e-perfeita.html' title='O Parto'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-7903289326200026237</id><published>2009-10-13T08:00:00.000-07:00</published><updated>2009-10-13T08:16:46.068-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Preciso Morrer</title><content type='html'>Os médicos que vem durante a noite não me deixam dormir. São tão atenciosos, todos de branco, parecem anjos. Pena que não entendem que eu quero descansar. Tantos remédios me viram o estômago, perdi o paladar; o que talvez me apetecesse, não me dão e eu tenho horror de galinha, só o cheiro me faz mal. Culpa de minha mãe que me obrigava a limpar, escaldar e depenar. Hum...que asco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa menina é a pior acompanhante, dorme feito uma pedra, nem me ouve chamar. Minha filha não puxou a mim que posso passar a noite em claro com duas ou três xícaras de café. Coitada, hoje conversou tanto, mas seus olhos assustados olhavam para todo lado, menos nos meus olhos. Eu amo tanto essa menina. Pensa que me engana com os diagnósticos que inventa a cada exame e acha que eu não entendi que a cirurgia foi em vão: abriram e fecharam, agora é só esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele túnel que eu vi na UTI foi um aviso, eu não queria voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou cansada. Hoje quando veio o chá, não consegui levantar a xícara e levar até a boca. Minha mão tremia, o braço pesava, eu perdia o controle. Não tenho mais dignidade, nem  autonomia. Detesto quando eles entram aqui e me invadem como quem enfia a mão em um saco de batatas, reviram as cobertas, me desnudam, esquecem que tenho pudor . Falam comigo com uma voz forçada como se eu fosse uma débil mental.Fecho os olhos aperto os punhos e entrego tudo a Deus, ele sabe o que faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tentar ir ao banheiro. Se eu não conseguir, é porque preciso morrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-7903289326200026237?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/7903289326200026237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=7903289326200026237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/7903289326200026237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/7903289326200026237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/10/preciso-morrer.html' title='Preciso Morrer'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-2885922424659588198</id><published>2009-09-18T03:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-21T12:25:23.429-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Plutão em seu movimento direto traz de volta a você tudo o que foi perdido nos últimos anos.</title><content type='html'>Revirou o bolso da calça, pegou uma chave solta, enfiou na fechadura e... abriu! Que sorte. Jogou os sapatos, o paletó, a gravata e o jornal que tinha nas mãos. Depois de ir ao banheiro, não lavou as mãos, não deu descarga e deixou o chão respingado. Sentou-se em frente à televisão com uma cerveja na mão, deu vários goles e arrotou. Sentiu o cheiro de alho do frango a passarinho que comeu no almoço, deu mais um gole e sorriu. Era bom estar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminou a bebida e cochilou pensando que logo ela chegaria, faria qualquer coisa para o jantar, assistiriam ao jornal nacional e depois iriam para cama. Dariam uma trepada e ele dormiria ao lado de um corpo quente e macio, para variar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela assustou ao perceber a porta destrancada. Entrou devagar e viu que o traste estava de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horóscopo - Quarta, 16 de setembro de 2009 - Plutão em seu movimento direto traz de volta a você tudo o que foi perdido nos últimos anos, em todos os setores de sua vida. Nesta fase você deve se conscientizar que está se fechando um velho ciclo e abrindo um outro no mesmo instante. Pare para refletir sobre as próximas escolhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-2885922424659588198?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/2885922424659588198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=2885922424659588198' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/2885922424659588198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/2885922424659588198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/09/plutao-em-seu-movimento-direto-traz-de.html' title='Plutão em seu movimento direto traz de volta a você tudo o que foi perdido nos últimos anos.'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-4596274713090595793</id><published>2009-09-15T09:19:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T09:20:57.781-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Estado de Coma</title><content type='html'>Finalmente o silêncio. Deveria ser a paz perseguida por vias equivocadas desde o primeiro momento em que se deu conta que existia.  Na casa, era praticamente invisível, ninguém tinha tempo para o mais novo de cinco irmãos que dormia de manhã e navegava à noite, mastigando salgadinhos de gordura saturada e bebendo açúcar gaseificado direto do gargalo. Suas mãos sujas sapateavam no teclado e se esgueiravam das mangas  encardidas do moleton cujo capuz cobria o boné cheirando a cabelo ensebado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velozes na madrugada, os carros virtuais faziam curvas perfeitas, o sincronismo da troca de marchas emitia o ruído certo, abafado pelos fones de ouvido, ele tremia de prazer. O coração, às vezes, disparava e ele se sentia mal, vomitava. Era o açúcar e a cafeína. Descia e esquentava no microondas os restos do jantar que fazia questão de não participar, comia na sala, no escuro,  vendo televisão sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado à noite, ninguém em casa;  na garagem, o carro pai esfriava o motor e estalava, aquietando-se no repouso. Ele entrou, a chave estava no contato, virou e ligou o som. O painel eletrônico o hipnotizou e ele ficou ali, em comunhão total com a máquina. De um sobressalto, ajeitou-se no banco, engatou a ré e saiu primeiro devagar, depois, vendo que podia, ganhou velocidade e se atreveu a deslizar nas avenidas vazias. Pegou a marginal e acelerou. Voava livre, rindo alto. Não viu que a pista bifurcava e se transformava em viaduto, continuou em frente, bateu na amurada de cimento, virou no ar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-4596274713090595793?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/4596274713090595793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=4596274713090595793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/4596274713090595793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/4596274713090595793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/09/estado-de-coma.html' title='Estado de Coma'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-1454489229976850383</id><published>2009-09-01T13:29:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T14:45:59.313-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='assunto de quinta'/><title type='text'>Sou a favor de cachorros eletrônicos</title><content type='html'>Acho o Nitendogs ótimo: você escolhe seu filhote, cuida dele, dá comida, treina, leva passear e até faz festinha, tudo virtualmente. Extrapola seu desejo reprimido de ter um animal de estimação, compra brinquedinhos, coleirinhas, roupinhas e outros mimos. Fantasia o cachorrinho do jeito que você bem entender e a única pessoa que vê é você. Pode também suprir suas carências fazendo todos os bilubilus que tem direito, com voz infantil e caretas e ninguém vai pensar que você pirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou totalmente a favor de cachorros eletrônicos porque detesto ser arrastada e conduzida por caminhos que não quero. Além disso, com os vituais, não passo pela humilhação de sair pela rua com saquinho plástico a catar seus dejectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tive vários cachorrinhos de verdade que me deram muito amor. Agora, só virtuais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-1454489229976850383?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/1454489229976850383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=1454489229976850383' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1454489229976850383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1454489229976850383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/09/sou-favor-de-cachorros-eletronicos.html' title='Sou a favor de cachorros eletrônicos'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-1873791640597298590</id><published>2009-08-19T07:54:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T08:48:42.961-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='assunto de quinta'/><title type='text'>Eu não pude ir a Woodstock</title><content type='html'>Estava fazendo enxoval e provando o vestido de noiva. Tudo branco. Mas juro que eu gostaria de ter estado lá, fumando maconha, tomando ácido e fazendo amor. Se o mundo não mudasse seria por minha culpa, burguesinha alienada, sonhando com alguém que me fizesse feliz. Seria porque eu achava melhor não saber de nada, não tomar pílula e não protestar. Meus protestos reapareceram depois, com validade vencida, fora de hora e lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarenta anos depois e ainda sinto uma enorme atração pelo evento do qual não participei. Gosto de ver as fotos, de saber o que aconteceu com as pessoas naquele espírito de paz e amor que, dizem, ainda está impregando no solo e na grama que cresce. Adubada com os fluídos corporais e resíduos dos que estiveram lá, a vegetação é verde, o céu azul, cenário perfeito para os que buscam inspiração por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Woodstock: Liberdade. Hair, Hare Krishna, O despertar da Era de Aquarius. Um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones. E se você for a São Francisco, não se esqueça de colocar flores no cabelo, você vai encontrar o pessoal por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pena que eu não fui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-1873791640597298590?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/1873791640597298590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=1873791640597298590' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1873791640597298590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/1873791640597298590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/08/eu-nao-pude-ir-woodstock.html' title='Eu não pude ir a Woodstock'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-4875268182481509698</id><published>2009-07-16T03:40:00.000-07:00</published><updated>2009-07-16T03:42:55.332-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>24 HORAS</title><content type='html'>Celular toca às sete horas, às sete e cinco, e dez, e quinze. Ele levanta zonzo, vai até a cozinha, enche a panelinha de água, bebe um gole da torneira, acende o fogo. Foram três tentativas antes de atirar a caixa de fósforos pela janela; procura outra caixa na gaveta cheia de coisas, queima a mão, xinga, consegue fazer café. Toma pelando, fazendo ruído com a boca.&lt;br /&gt;A água está gelada, que saco, melhor assim eu acordo, acabou o xampu, não vou fazer a barba, já estou atrasado. Veste a roupa com o corpo molhado, a meia não entra, o sapato está sujo, vai assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua, uma névoa de poluição, não faz calor, nem frio, mais um dia como outro qualquer. Coloca os fones no ouvido, aumenta o som, se ficar surdo, foda-se. No ônibus, uma mulher bonita, com cabelos ainda úmidos cheirando a perfume bom. Trânsito dos infernos.&lt;br /&gt;Entra no edifício de cabeça baixa, passa o crachá na catraca, espera o elevador. Não cumprimente ninguém, troca os fones pelos da empresa e começa a transcrever mais um relatório médico, dessa vez de um cardiologista, não conhece bem o vocabulário, terá de pesquisar.&lt;br /&gt;Toma café. Na hora do almoço sai, compra coxinha e coca-cola, sorvete de casquinha do MacDonald, um real e cinqüenta; passa na banca e volta aos relatórios enfadonhos. Tecla com a namorada e os amigos no Messenger, responde e-mails, mais relatórios. Esse médico é fanhoso, o infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai para a escola, dorme não presta atenção. Volta para casa com frio e com fome, pega a pizza empenada de tão fria, mastiga com uma cerveja choca. Liga a televisão, dorme no sofá. Acorda com frio, tira a roupa, se enfia nas cobertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Celular toca às sete horas, às sete e cinco, e dez, e quinze...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-4875268182481509698?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/4875268182481509698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=4875268182481509698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/4875268182481509698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/4875268182481509698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/07/24-horas.html' title='24 HORAS'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-2835677440029749173</id><published>2009-06-07T15:57:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T15:59:03.846-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>A Morte de Rilda</title><content type='html'>Rilda estava bela no seu leito de morte. Finalmente seu rosto de porcelana transmitia paz. Talvez por não querer passar pela velhice, desistira da vida enquanto ainda era bonita, jovial e atraente. Depois de ver tanto sofrimento, Alexandra, a única filha, não sabia se o que sentia naquele momento era alívio ou dor. Jamais presenciara o instante da morte e, ao ver o último suspiro, entorpeceu-se. Lembrou-se do desejo da mãe que pedia que a envolvessem em um lençol de linho e fechassem o caixão; pensou em fazer aquele último desejo, mas logo descartou a possibilidade. Algumas horas antes, concordara com o médico que a única coisa a fazer era deixar que sua mãe dormisse para sempre. Chorou muito por autocomplacência, por pensar que iria perder uma parte de si. As duas haviam se despedido em um átimo de profundo amor dizendo apenas “eu te amo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com trinta e poucos anos, Alexandra sentiu-se só. Nunca mais diria “mãe”. O comportamento de filha malcriada e birrenta também seria enterrado e ela assumiria a linha de frente. Viu-se caminhando no corredor do hospital, sem ninguém por perto, sentiu-se forte e mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia amanheceu rapidamente, cinzento, triste, com uma chuva torrencial. As pessoas foram chegando, sinceras em seu pesar, agrupando-se por afinidades: parentes queridos, amigos do clube, o grupo das aulas de tango, os amigos de Alexandra e seu marido. Tanta gente amava aquela mulher alegre, dinâmica, sempre disposta e interessada. Muitos choraram sua morte. “Uma pena” - diziam. O câncer havia chegado sem avisar e, quando Rilda sentiu os primeiros sintomas, as metástases já haviam se espalhado por todo seu belo corpo. Enjôos, dores no estômago, uma cirurgia inútil, dois dias de UTI e não conseguira mais ficar de pé sozinha. Quando não pode sequer erguer a xícara de café com leite, entregou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cemitério, a chuva lavava com vontade as lápides, as capelas, os mausoléus e os mármores e bronzes. Os guarda-chuvas escuros perambulavam nas alamedas estreitas, as mesmas que Rilda percorrera tantas vezes para levar flores a seus mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir ao cemitério era um ritual cumprido pelas três irmãs: Rilda, Vicenza e Íris. Sempre levavam Alexandra, pequena, para que se acostumasse e não tivesse medo; sua tarefa era repor as flores frescas no vaso. Lavavam a capela, trocavam as toalhinhas bordadas, rezavam, faziam o sinal da cruz e iam embora conversando em italiano. Alexandra, saltitante, contava anjinhos de pedra e fazia perguntas. Rilda dizia que depois que as três morressem ninguém mais iria cuidar da capela. Naquele tempo, o cemitério andava muito descuidado pela administração, era perigoso andar por lá. Todas ficaram horrorizadas quando souberam que violavam túmulos para procurar dentes de ouro nas ossadas e só acreditaram porque o fato ocorreu com os restos mortais de uma tia distante, pobre coitada. A menina ficou impressionada, tinha pesadelos no meio da noite e acordava gritando de medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era costume na família, só os homens foram ao enterro. Uma procissão de guarda-chuvas pretos, o genro, os sobrinhos e o neto segurando o caixão, a tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra chorou muito. Quando foi marcar a missa de sétimo dia na igreja em que a mãe freqüentava, acertou os detalhes, escolheu as músicas e descobriu que a missa individual custava praticamente o dobro da missa comunitária. Porém, a secretária na sacristia garantiu que para a alma da pessoa falecida o benefício era o mesmo. Se o benefício era o mesmo porque ter dois preços de missa? Enfim, fez o que sua mãe faria: optou pela missa individual, preencheu um cheque, incluindo os honorários do organista, e saiu. No dia marcado, a igreja estava repleta de pessoas profundamente consternadas. No silêncio entre uma música e outra, a dor da perda pesava no ar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-2835677440029749173?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/2835677440029749173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=2835677440029749173' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/2835677440029749173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/2835677440029749173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/06/morte-de-rilda.html' title='A Morte de Rilda'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8588231057389088447.post-3255101245049971903</id><published>2009-06-05T06:18:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T14:51:57.214-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='assunto de quinta'/><title type='text'>Torcida organizada: ora vejam!</title><content type='html'>Quando eu digo que não me interesso mais por esportes as pessoas ficam chocadas. Esporte é tão saudável, tão importante para a formação de uma criança! Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como poderia me interessar por essa coisa que mais parece um jogo tirado de filme de ficção científica? Os atletas viram humanóides, cheios de tecnologia e química para disputar milésimos de segundos em nome da logomarca de uma grande corporação. Os jogadores de futebol são um saco de dinheiro ambulante, a correr em uma arena verde e retangular, tentando estratégias estudadas por um técnico, que nem sempre sabe o que está fazendo. Ganham tanto dinheiro e todos fazem a mesma coisa: uma mulher loira (geralmente casam em castelos), uma casa enorme cafona, com tv de plasma, mesa de bilhar, churrasqueria e todos os intrumentos musicais possíveis para um bom pagode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada contra. Cada um sabe de si. Eu só não consigo me interessar, que dirá gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as torcidas? O que é aquilo, meu Deus? Vandalismo, assassinato, histeria em massa? os moradores dos bairros próximos aos estádios passam a morar no meio de um campo de guerra, em dia de jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas guerras de verdade, os soldados são treinados desde pequenos, com jogos eletrônicos, a atirar para matar de brincadeira, . Depois, é apenas uma questão do preço do brinquedo. A mil quilômetros de distância, quem sente que está dizimando uma aldeia inteira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver o comportamento das tais torcidas organizadas, tenho certeza de que o homem sente falta da carnificina de verdade, do confronto homem a homem, corpo a corpo. Aí, dá no que dá. Um horror!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8588231057389088447-3255101245049971903?l=sschamas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sschamas.blogspot.com/feeds/3255101245049971903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8588231057389088447&amp;postID=3255101245049971903' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/3255101245049971903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8588231057389088447/posts/default/3255101245049971903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sschamas.blogspot.com/2009/06/torcida-organizada-ora-vejam.html' title='Torcida organizada: ora vejam!'/><author><name>san</name><email>sandraschamas@gmail.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='11802251930212440918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry></feed>